Para a headhunter Raquel Mozzer, o Recrutamento e Seleção vive hoje uma distorção estrutural. Processos cada vez mais longos, excesso de etapas, testes padronizados e uso indiscriminado de inteligência artificial transformaram o que deveria ser uma decisão estratégica em uma dinâmica operacional desgastante e pouco eficiente.

Segundo Mozzer, a complexidade crescente não tem sido acompanhada de maior qualidade decisória. “O mercado criou processos inflados para compensar a falta de clareza. Em vez de decidir melhor, as empresas terceirizam a responsabilidade para sistemas, etapas e ferramentas”, avalia.

O resultado, afirma, é um ambiente improdutivo tanto para empresas quanto para candidatos. De um lado, organizações enfrentam aumento de turnover e desalinhamento cultural. Do outro, profissionais participam de processos extensos sem critério claro, o que reduz engajamento e confiança no modelo.

Na avaliação da headhunter, o problema não está na tecnologia ou na escala, mas na perda do eixo decisório. “Recrutamento não é volume nem automação. É escolha. Quando isso se perde, o processo se torna insuportável para todos os envolvidos”, conclui.

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