O Brasil está entre os países que mais investem no ensino de inglês no mundo. Escolas presenciais, plataformas digitais e cursos online se multiplicam, atendendo milhões de estudantes todos os anos. Ainda assim, o país segue apresentando baixos índices de fluência funcional, especialmente quando o critério é a capacidade de se comunicar com clareza em ambientes profissionais e internacionais.
Esse paradoxo revela um problema estrutural da educação brasileira: ensina-se o idioma, mas não se forma o comunicador global. Na prática, muitos profissionais acumulam anos de estudo, mas travam ao falar, negociar ou se posicionar em inglês, mesmo dominando regras gramaticais e vocabulário técnico.
Segundo a especialista em Comunicação Internacional Renata de Paula, o principal equívoco do modelo tradicional é tratar o inglês apenas como conhecimento linguístico, ignorando fatores emocionais, comportamentais e estratégicos que determinam a comunicação real.
A dificuldade não está na falta de capacidade intelectual, mas em bloqueios como medo do julgamento, perfeccionismo, insegurança e receio da exposição. Esses fatores se intensificam justamente entre executivos, empresários e líderes em cargos estratégicos, para quem errar publicamente pode significar perda de autoridade.
Nesse contexto, o inglês deixa de ser apenas uma habilidade técnica e passa a funcionar como um ativo estratégico de carreira. Não se comunicar bem em inglês compromete oportunidades internacionais, negociações, liderança e posicionamento profissional.
Ao integrar neurociência e técnicas de comunicação, novas abordagens surgem como alternativa a um sistema que ensina regras, mas não prepara o profissional para se expressar com clareza, confiança e presença no cenário global.

