No universo musical de Rosana Puccia, a fusão entre jazz e baladas românticas ganha vida no álbum “Fim de Tarde”. Conversamos com a artista sobre a inspiração por trás dessa combinação e o impacto dessa abordagem na cena contemporânea da música. A artista conversou com a Revista Hover com exclusividade e você confere agora!
Revista Hover: Como surgiu a ideia de mesclar jazz e baladas românticas no álbum “Fim de Tarde” e qual é a relevância desse movimento para o mercado da música contemporânea?
Rosana Puccia: A balada é uma das formas clássicas de expressão do jazz. As baladas de jazz têm um andamento lento, com a bateria tocada com vassouras em vez de baquetas. Em 2023, lançamos um álbum bilíngue de composições de David Pasqua, com letras minhas (IN JAZZ autoral), que remetem a estilos clássicos do jazz. Foi um projeto que surgiu espontaneamente. A ideia de mesclar esse álbum de jazz com o “Fim de Tarde”, que apresenta somente baladas, surgiu paralelamente, pois havia um conjunto de canções românticas de David Pasqua perfeitas para este trabalho complementar. Acho interessante considerar que a mescla dos dois trabalhos contribui para que o jazz não caia no esquecimento. Pelo contrário, faz com que ele seja parte da necessária diversidade de estilos que o mercado deveria proporcionar.

RH: Quais são as principais características instrumentais e estilísticas que definem o álbum “Fim de Tarde”?
Rosana Puccia: As oito canções de “Fim de Tarde” têm uma base clássica de piano, baixo acústico e bateria. “Lembro que foi à tarde” e “My Star” ganharam uma orquestra de violinos, enquanto “Pra quem se foi” conta com solos de acordeon. A sensualidade foi ressaltada com guitarra e violão dobro em “Onde o desejo mora” e com trompete em “Like a Magnet”. David Pasqua e eu trabalhamos juntos na escolha dos instrumentos adicionais e nos arranjos. Normalmente não discordamos muito [risos].

RH: Como foi o processo de composição e produção do álbum “Fim de Tarde”, incluindo sua colaboração, de David Pasqua e os demais letristas envolvidos?
Rosana Puccia: Inicialmente, escolhemos as canções do meu “repertório David Pasqua”, já que ele é o compositor de todas as melodias. Foi fácil… “Finalmente… você” (música e letra de David Pasqua) foi lançada em 2012 somente como videoclipe. Para “Fim de Tarde”, refizemos tudo: instrumentos e voz, mas mantivemos a mesma vibe. “Like a Magnet” (minha versão em inglês de “Como um ímã”, da parceria com Fátima Fonseca) era uma escolha óbvia: a produzimos anos atrás, mas não a lançamos em plataformas de áudio. Ficou na gaveta porque lançamos um single com a versão em dupla com o cantor Bruno Vincenzi. Apesar de cantá-la em shows, faltava registrar “All Yours” (minha versão de “Sua”, da parceria com Enéas Couto Jr.) e “Onde o desejo mora” (da parceria com Regina Machado). “My Star” (da parceria com Miriam Alborghetti) estava em preparação para gravar em formato de balada e entrou no repertório, assim como a inédita “Lembro que foi à tarde” (da parceria com Elmo Lage). As inéditas “Pra quem se foi” (com David cantando junto) e “O dia bate à sua porta”, ambas com letras minhas, ganharam a vibe do jazz e foram adicionadas ao álbum. “O dia bate à sua porta” encerra a sequência de forma positiva e alegre. Não é exatamente uma balada.

RH: Quais são os temas abordados nas letras do álbum “Fim de Tarde” e qual é a importância da diversidade temática na construção da narrativa musical?
Rosana Puccia: A fase apaixonada do relacionamento está em quatro faixas, com a sensualidade transparecendo em três delas. Um amor mal resolvido do passado na paisagem do Rio de Janeiro abre o álbum. Duas faixas tratam das pessoas que se foram desta vida. A melodia e os arranjos adequam-se respeitosamente aos temas.

RH: Como esse projeto reflete em sua versatilidade artística? Quais os planos futuros?
Rosana Puccia: Adorei fazer um álbum que exigisse, em todas as faixas, baixar a intensidade que me é peculiar. A intensidade existe no novo álbum, mas é transmitida de forma mais contida. Procurei envolver os temas com interpretações fluidas e delicadas. Em lançamentos anteriores de áudio e vídeo, predominam sambas jazz, com pitadas românticas, xote, latinas e até com uma vibe de tango jazz. “Fim de Tarde” foi uma novidade porque mostrou um único estilo.
Em breve, começaremos a trabalhar no próximo álbum, que reúne minhas parcerias como letrista. David Pasqua e eu temos 30 canções até o momento, com letras originais minhas e várias versões que fiz para letras de outros autores (ou minhas mesmas). Já gravei tantas canções do David que perdi a conta, e ainda faltam inúmeras. A afinidade musical é grande. Também escrevi letras para melodias de outros compositores. O próximo trabalho, que já começamos a produzir, vai reunir em música todos os meus parceiros, incluindo, claro, o David. Sem ele, nada acontece.
Com o álbum “Fim de Tarde”, Rosana Puccia não apenas celebra a riqueza do jazz e das baladas românticas, mas também reafirma a importância da diversidade de estilos no mercado musical atual. Seu próximo projeto promete expandir ainda mais essa narrativa, reunindo suas colaborações como letrista em uma nova e emocionante jornada musical.
Ouça o álbum em todas as plataformas digitais:
https://tratore.ffm.to/rosana

