Utilizada há séculos por povos indígenas, a bebida psicoativa desperta interesse por seus efeitos espirituais e possíveis aplicações terapêuticas. O consumo, entretanto, pode provocar reações graves, especialmente em pessoas vulneráveis.
Também conhecida como daime, hoasca ou vegetal, a ayahuasca é utilizada em cerimônias indígenas e em religiões como Santo Daime, União do Vegetal e Barquinha. Preparada geralmente com o cipó Banisteriopsis caapie as folhas da Psychotria viridis, contém DMT e outros compostos que alteram intensamente a percepção.
Os participantes podem experimentar imagens, recordações e emoções profundas, além de mudanças na percepção do tempo. Náuseas, vômitos, tremores, aumento da pressão e aceleração dos batimentos cardíacos também podem ocorrer.
A ciência investiga possíveis efeitos contra a depressão resistente, mas as evidências ainda são preliminares. A bebida não deve ser apresentada como cura nem substituir psicoterapia, medicamentos ou atendimento médico.
Famosos relatam experiências
Alok declarou que participou de cerimônias com ayahuasca ao se aproximar do povo Yawanawá, no Acre. Segundo o DJ, a experiência influenciou sua trajetória pessoal e projetos ligados à cultura ancestral. Ele também alertou contra o consumo irresponsável.
Maitê Proença e Fábio Porchat também falaram publicamente sobre experiências com ayahuasca ou Santo Daime. Esses relatos ampliam o debate, mas não comprovam benefícios nem garantem segurança.
Rubens Souza relata experiência de quase sete anos
O empresário Rubens Souza afirma ter participado de cerimônias com ayahuasca durante quase sete anos, em encontros realizados aproximadamente a cada 15 dias. Segundo ele, não enfrentou problemas relacionados ao consumo e considera que as experiências contribuíram para mudanças em sua vida pessoal, emocional e espiritual.
O que motivou você a participar pela primeira vez de uma cerimônia com ayahuasca?
Recebi um convite do dirigente de uma cerimônia quando tinha 16 anos, mas fui consagrar a ayahuasca pela primeira vez somente aos 25, quando senti o famoso “chamado”, expressão utilizada por quem participa desses rituais há algum tempo.
Como foram suas experiências e quais sensações físicas, emocionais ou espirituais você percebeu?
Consagrei a ayahuasca durante quase sete anos, em cerimônias realizadas aproximadamente a cada 15 dias. Tive experiências que considero fantásticas e difíceis de explicar, responsáveis, na minha percepção, por um processo de cura e evolução do meu ser.
Em relação ao corpo, aprendi a cuidar melhor da alimentação e a compreender a importância de hábitos mais saudáveis. No campo mental, passei a refletir sobre o que considero certo e errado, as consequências das escolhas e a importância de amar e respeitar o próximo. Espiritualmente, desenvolvi a compreensão de que precisamos corrigir nossos erros e buscar uma ligação maior com a natureza e o Criador.
Você tomou algum cuidado antes de consumir a bebida?
Participei de uma instituição que considerei séria, comprometida com a preservação dos ritos ancestrais. Também procurei saber a procedência da bebida, que, segundo os responsáveis, vinha de comunidades indígenas e de produtores do Acre e do Amazonas.
Embora não tenha apresentado problemas, você acredita que os efeitos podem variar de uma pessoa para outra?
Sim. Na minha experiência, uma cerimônia pode trazer à tona um grande volume de conteúdos emocionais. O estado psicológico e espiritual de cada pessoa influencia a maneira como isso será compreendido, de forma mais leve ou mais densa. A reação é única e varia de acordo com cada indivíduo.
Que orientação daria a alguém interessado nessa experiência?
A primeira recomendação é procurar uma instituição responsável, que respeite rigorosamente os ritos ancestrais, informe a procedência da bebida e avalie as condições dos participantes. Também considero importante realizar uma preparação anterior, cuidando da alimentação e do equilíbrio físico, mental e emocional.
Riscos e contraindicações
Pessoas com histórico pessoal ou familiar de psicose, esquizofrenia, transtorno bipolar ou mania apresentam maior risco de desorganização mental. Também podem ocorrer interações perigosas com antidepressivos e outros medicamentos. Nenhum tratamento deve ser interrompido sem orientação médica.
A experiência positiva de Rubens representa uma vivência individual e não comprova que a bebida seja segura para todas as pessoas.
O caso de Rian Brito
Rian Brito, filho de Nizo Neto e neto de Chico Anysio, desapareceu em 2016 e foi encontrado morto por afogamento em uma praia de Quissamã, no Rio de Janeiro. Segundo a família, ele teria apresentado alterações de comportamento e um surto psicótico após consumir ayahuasca.
Não houve comprovação médico-legal pública de que a bebida tenha causado diretamente sua morte. O episódio, porém, alerta para o risco de substâncias psicodélicas agravarem transtornos em pessoas vulneráveis.
Uso religioso no Brasil
O uso religioso da ayahuasca é reconhecido no Brasil e segue princípios da Resolução nº 1/2010 do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas. As normas desaconselham comercialização, uso turístico, associação com drogas ilícitas e promessas de cura.
A tradição espiritual merece respeito, mas não torna a bebida inofensiva. Seu consumo exige avaliação de saúde, informação adequada, acompanhamento responsável e estrutura para emergências.
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