“Não quero que meus filhos me vejam escolhendo. Quero que eles me vejam vivendo”, afirma a arquiteta, que compartilha registros com Theo e defende a possibilidade de construir uma carreira forte e uma maternidade presente.

O olhar à frente, a postura firme e a silhueta da gestação marcada pelo vestido preto. Ao redor do corpo, formas brancas se sobrepõem como pétalas. Em outra sequência, volumes esculturais emolduram os ombros, enquanto as mãos repousam sobre a barriga. À espera de Lily, Camila Pimenta apresenta um ensaio que aproxima sua linguagem como arquiteta de uma declaração pessoal sobre a vida que escolheu construir.

Nas fotografias, a precisão dos volumes convive com a espontaneidade de Theo, seu filho de quatro anos. Ele segura sua mão, brinca e abraça a barriga da mãe. A presença dos dois traduz o pensamento que Camila compartilha neste momento: maternidade, realização profissional e identidade podem crescer juntas.

“É possível construir uma carreira forte e viver a maternidade de forma presente. Eu não quero que meus filhos me vejam escolhendo entre eles e os meus sonhos. Quero que eles me vejam vivendo.”

À frente da Camila Pimenta Luxury Experience, a arquiteta e diretora criativa fala com orgulho do trabalho, da empresa e da família. Ser mãe e seguir desenvolvendo sua carreira são desejos que sempre fizeram parte dos seus planos.

“Nunca foi uma opção deixar de trabalhar, assim como nunca foi uma opção deixar de ser mãe. No meu coração, essas duas vontades sempre caminharam juntas”, escreve.

Essa afirmação toca uma questão importante na cultura das redes sociais: a facilidade com que escolhas pessoais de figuras de sucesso podem ser recebidas como fórmulas de realização. Quando uma mulher reconhecida afirma não desejar filhos, sua decisão pode ser interpretada como explicação para suas conquistas. No sentido inverso, a dedicação à maternidade pode ser tomada como sinal de menor ambição profissional.

Uma escolha individual, porém, não estabelece uma relação de causa e efeito entre ter filhos e alcançar sucesso. É nesse ponto que a experiência de Camila amplia a conversa: ela deseja a maternidade, ama a vida familiar e continua investindo em sua trajetória profissional.

“A arquitetura é uma escolha que continuo fazendo todos os dias, com entusiasmo, ambição e responsabilidade. Tenho muitos planos, projetos e vontade de ir além. Quem confia no meu trabalho encontra em mim esse compromisso, que permanece inteiro nesta nova fase.”

Seu posicionamento é direto:

“Ser mãe não diminui a profissional que uma mulher é. A maternidade não apaga competência, ambição ou capacidade de liderar. Na minha vida, ela ampliou meu olhar e fortaleceu a mulher que toma decisões, cria e conduz uma empresa.”

A declaração também responde a uma realidade documentada. Em pesquisa divulgada pela Pluxee em maio de 2025, com mais de 2.100 mulheres entrevistadas, 60% relataram dificuldades profissionais por serem mães. A perda de oportunidades de crescimento e a discriminação em processos seletivos ou no retorno ao trabalho estavam entre os obstáculos mencionados.

O dado evidencia que a discussão envolve condições concretas, além de escolhas pessoais. Reconhecer competência, compartilhar responsabilidades e oferecer apoio são partes necessárias para que mais mulheres possam viver seus projetos. A possibilidade defendida por Camila não pressupõe uma rotina sem exigências: ela se expressa no compromisso com a profissão e na proteção do tempo com os filhos.

“O Theo cresce sabendo que existe o tempo do trabalho e o tempo que é só dele. Ele me vê criando, estudando, viajando e realizando meus sonhos. Meu filho não disputa espaço com a minha profissão: o momento dele é dele, e é inegociável.”

Camila deseja que os filhos conheçam a mulher por trás do papel de mãe. Que acompanhem suas realizações, compreendam o valor do trabalho e sintam a alegria com que ela vive a maternidade. O ensaio dá forma a essa convivência: a postura segura permanece nos retratos individuais, enquanto os encontros com Theo revelam intimidade e humor.

É também com ele que a espera por Lily ganha novos gestos. O menino conversa com a irmã, faz perguntas e demonstra cuidado quando abraça a barriga.

“Até quando me dá um abraço apertado e, no mesmo segundo, diz preocupado: ‘Mamãe, apertei a Lily!’ Meu coração se derrete com esse cuidado que ele já tem por você”, conta Camila em sua carta à filha.

A história do nome começou anos antes. Depois de assistir a um filme com uma personagem que descreve como uma menina doce e linda, a arquiteta guardou uma certeza: um dia, teria uma Lily.

Ao descobrir que o nome significa lírio, encontrou mais um motivo para conservar aquela escolha. “Achei tão bonito imaginar minha menina com um nome de flor. Desde então, ele ficou guardado em mim, esperando por você.”

Agora, a expectativa está nas pequenas descobertas que ainda virão: conhecer o rosto da filha, seu sorriso e seu jeito; vê-la nos braços do irmão; acompanhar a relação dos dois dentro de uma família que já fala dela nas conversas e nos planos.

“Às vezes paro com a mão na barriga e tento imaginar o instante em que vou ver seu rostinho pela primeira vez. Poder te pegar no colo, sentir seu cheirinho e dizer bem de pertinho tudo o que já te digo aqui: eu já te amo tanto!”

Ao compartilhar os registros, Camila agradece à equipe, aos clientes e às pessoas que acompanham sua trajetória. A confiança em seu trabalho e o carinho pela família aparecem como partes de uma história que continua em construção.

Sua mensagem às mulheres é a possibilidade de preservar desejos que tantas vezes são apresentados como incompatíveis. Camila afirma, pela própria experiência, que amar os filhos e ambicionar novas conquistas profissionais cabem na mesma vida.

Para Lily, essa convicção se torna uma declaração de amor, sem condições:

“Meu amor já é seu, inteiro, antes de qualquer coisa que você venha a fazer ou ser.”

Fonte do levantamento citado: Pluxee, maio de 2025. www.pluxee.com.br

(Crédito: Mari Righez)